Salvação A Luz Da Escritura Sagrada – Carlos Catito

Para a cristandade a salvação tem seu fundamento em Deus. Pois, observando a luz da Escritura Sagrada, no primeiro livro “Gêneses” Deus o todo poderoso e criador de todo que é existe e real, seja de caráter material ou imaterial tem como causa existencial em Deus. Portanto, o livro de gêneses mostra que Deus por ser relacional e não carente, criou a natureza e junto com a mesma o ser humano, para se relacionar (Gn 1.27); mas também deu ao ser humano os recursos necessários para que se alimente e viva de forma sã sua vida física, integralmente.

Porém o ser humano quebrou a aliança que tinha com seu Criador (Gn 2.16-17), pois tinha sido advertido para não comer do fruto que o tornasse decadente integralmente; a desobediência desse acordo custou ao ser humano não apenas o afastamento da gloria de Deus, de sua comunhão, mas também a morte eterna e física (Gn3.6, Rm 3.23 e 6.23) . No entanto, após a queda do ser humano, ao descumprir com o acordo no Jardim, Deus se propôs a resgatá-lo. Deus começa fazer missão e se torna o primeiro missionário. 

Conforme está escrito na carta aos romanos 6.23, em que se refere ao dom gratuito de Deus, foi então o que aconteceu; o homem pecou e teve como conseqüência o afastamento da presença de Deus, e como salário a morte. Mas por Deus ser não apenas o Criador, mas também amor, e com amor eterno criou o ser humano, Ele mesmo se reduziu em homem, se faz em figura humana em Jesus Cristo para salvar toda a humanidade que está decaída.  Desde então, a questão “Salvação” se tornou um assunto milenar no mundo.

Salvação o que é então? Por definição “salvação é o livramento do pecado e seus efeitos, mediante a ação graciosa de Cristo Jesus para uma vida de glória com Deus, numa nova ordem de existência eterna” (SEVERA). Como já mencionei no parágrafo acima, o homem pecou e teve como salário a morte segundo o que diz em Romanos, mas Deus se propôs em resgatá-lo, para que voltasse a comunhão originaria, porém numa nova ordem de existência, a qual o homem não mais terá um corpo corruptível com o qual havia caído.

Sendo assim, a salvação tem uma fonte, que é a graça de Deus, tendo esta se materializado por meio de Jesus Cristo na humanidade. Não temos a Salvação como merecimento, pelo contrário, o que merecíamos era a morte e o afastamento eterno de Deus em nossas vidas, mas como o dom gratuito de Deus é a vida eterna, este dom gratuito é a graça de Cristo para nós os humanos, não como merecimento, mas como favor de Deus, pois fomos nós que quebramos o acordo, que rompemos com a comunhão sadia que tínhamos com Deus. Então o ser humano só é salvo por causa da graça de Deus em Cristo Jesus, e não pelo que nos sacrificamos a ele, mas ele sacrificou seu próprio filho para nos resgatar de tudo que nos afastou dele.

Portanto, esta graça se manifestou devido ao salário do pecado que merecíamos, ao invés disso, recebemos, mesmo não merecendo, o favor de Deus que nos deu o livramento da nossa condição existencial condenada. Foi em Cristo Jesus que Deus manifestou seu amor para salvar a humanidade da cédula que o condenava.  Em outras palavras a fonte da salvação para toda a humanidade é a graça de Deus em Cristo Jesus, e isto se concebe pela fé, não por obras da lei, mas unicamente por meio da fé em Jesus Cristo.

Do que então a Graça nos liberta ou salva? Livramento do pecado e seus efeitos! A idéia de salvação na bíblia é basicamente libertação de alguma coisa. No Antigo Testamento a salvação de Deus para o povo era o livramento de alguma doença, morte, cativeiro, inimigo e até mesmo escapar de toda a espécie de males. Tinha mais sentido de livramento de coisas desta vida e do mundo temporal e visível do que sentido espiritual. Já no Novo Testamento, salvação passou a significar primariamente livramento do pecado e seus efeitos (Mt 1.21; At 2.38; 3.19; 17.30,31; Rm 6.23; Hb2.2,3, etc.).

Como o ser humano desde os primórdios estava caído por ter quebrado o acordo que tinha com Deus no Jardim do Éden, como conseqüência merecia a condenação eterna pelo pecado, Deus concedeu-se a si mesmo para advogá-lo, isto o fez em Cristo Jesus, o qual se entregou para morrer em nosso lugar; no qual hoje, em sua graça, todo aquele que crer será salvo. Pois há na graça de Deus em Cristo Jesus o livramento pleno do pecado, da morte e dos sofrimentos futuros da perdição (Rm 6.23; Hb 2.14,15; 1 Co 15.54).

Ao nascermos de novo, isto é, quando este ser humano caído e afastado da glória de Deus se converte em Cristo Jesus, o espírito é vivificado (da morte espiritual), ao se converter o homem é selado com o Espírito Santo, o qual no último dia será ressuscitado (da morte física) na volta de Jesus Cristo, e, assim, o indivíduo fica livre da condenação e dos sofrimentos no além (da morte eterna). Neste novo nascimento, o indivíduo não nasce para a vontade humana de seus pais, nem pela vontade dos propósitos mundanos, mas pela e para a vontade de Deus, conforme diz no livro de João 1.12,13.

Portanto, enquanto na terra, enquanto estivermos no mundo, esta mesma graça que nos libertou mediante a fé que temos em Cristo produz em todos os nascidos de novo uma vida humanamente transformada, uma vida que pela fé não se submete a escravidão do pecado e seus efeitos, pelo contrário, anda na luz daquele que os salvou gratuitamente e, acima de tudo faz com que os tais vivam somente a vontade dele.

Segundo SEVERA “o pecado, entrando no mundo, desfigurou o homem na sua alma e espírito, no seu corpo, no seu mundo e na sua relação com Deus. A salvação, por outro lado, significa o livramento e a restauração do homem e de suas condições de vida em todos os aspectos atingidos pelo pecado. O indivíduo é completamente liberto para uma existência de glória eterna na presença de Deus. O salvo é levado para um novo “paraíso”, onde Deus “com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles” (Ap 21. 3)”. Este é a missão que Deus desde que o homem caiu e se afastou da sua presença vem fazendo, e o fez em diferentes alianças, AT e NT, mas não para nos levar de volta ao paraíso terreno “Jardim do Éden”, mas para sua glória, o qual Jesus em João disse que vou preparar a morada, para que onde ele estiver estejamos nós os salvos.

A salvação aplicada na experiência do indivíduo, desde seu princípio até a consumação no além apresenta três aspectos. Nesta perspectiva, a salvação pode ser considerada como um ato, um processo em andamento, e uma consumação. Desta forma, o cristão é alguém que está salvo, vai sendo salvo e será salvo no futuro. Porém o objecto de estudo deste texto se ocupou simplesmente apresentar a um conhecimento sobre salvação de modo geral.

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Autor: Carlos Catito

Formado em Filosofia e Teologia

Missionário na empresa Primeira Igreja Presbiteriana Independente de Curitiba

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