Não somos malditos! – Sandra Calejão

Sandra Calejão é reconhecidamente uma mulher com vocação na pregação da palavra de Deus. Dedicada ao estudo da palavra e a oração confessou-nos que a primeira vez que subira a um púlpito para pregar foi coincidentemente no dia em que acabou a primeira leitura completa da Bíblia, a sensivelmente catorze anos. Conheça os seus desafios e como esta mulher de “garra” se impôs no difícil mundo da arte de pregar o evangelho com distinção.

A conversa entrevista com a Revista Supremo decorreu no Jardim Municipal de Benguela.

Revista Supremo (RS): Qual é o significado do mês de Março para si?

Sandra Calejão (SC): Março é um mês especial, porque os homens dão prioridades as mulheres e elas podem perceber o importante papel que reflectem na vida deles, pena que apenas alguns homens consideram isto. Eu acredito ser um mês importante, apesar de alguns coisas menos boas terem acontecido neste mês, ainda assim podemos sentir o amor e a consideração dos homens a nosso respeito.

 

RS: É possível perceber uma maior abertura as mulheres para ministério neste tempo?
SC: Sim! Eu consigo sentir isto de forma muito visível, testemunho em minha própria vida, estou no Ministério Carisma, meu pastor é um homem de Deus de louvar e louvo a todos outros homens que dão oportunidade as mulheres, consideramos os homens cabeça, o seu papel no ministério e também na sociedade.

 

RS: Qual foi a sua reacção à primeira vez que pregou?
SC: A primeira vez foi muito boa experiência, foi mesmo na igreja Carisma, nunca tinha pedido para pregar, mas senti-me compelida para ler a Palavra de Deus toda e durante este tempo, senti o Espírito de Deus a falar comigo: “Continua a ler a Minha palavra e verás o que farei contigo” e no mês que acabei de ler a bíblia toda, o pastor na mesma semana convidou-me para pregar e realmente não acredito em coincidência, foi tudo dentro da vontade de Deus e foi uma semana maravilhosa, as pessoas me perguntavam como tinha me preparado. Por tanto acredito que Deus é fiel e está a chamar mulheres para o ministério da pregação do evangelho.

 

RS: Quantos anos prega?
SC: Eu aceitei a Cristo no ano 2000 e comecei a pregar em 2005.

 

RS: Quais são os maiores desafios para uma pregadora?
SC: São muitos! Risos. Sempre orei e me apresentei a Deus para me usar onde ELE quisesse e quando falei com o Pastor Amado e a Mama Angela, eu lhes disse que mesmo que fosse para limpar a igreja desejo servir ao meu Senhor, isto ardia no meu coração e o Pastor por orientação de Deus me colocou para pregar e graça a Deus é um dom que ELE me deu e quero servi-Lo neste ministério. 

Os maiores desafios são aqueles que se levantam contra as mulheres que pregam e os outros é a renuncia, passar oras a ler e meditar na palavra, levantar de madrugada para orar e buscar a profundidade e simplicidade da palavra de Deus que é maravilhosa para nós.

RS: Como reage as pessoas que se opõem a mulheres que pregam?
SC: existe uma diferença, quando nós somos chamados por Deus isto faz toda diferença, quando ouvimos DELE, quando temos a convicção do chamado, não importam quem apareça para dizer que não é para fazer aquilo, nós vamos fazer, porque estamos a obedecer a Deus. Passei por um momento semelhante e eu tive de me esconder, porque a única maneira era desaparecer ou era chamada para pregar em um ou outro evento.

Neste tempo fiquei a pensar e reflectir será mesmo a palavra de Deus? E comecei a perguntar-me muito sobre isso, mas entreguei completamente aos braços do meu PAI e disse em oração” Senhor por eu ser TUA serva, já me basta, eu não prego por querer se exibir, então venha me mostra a TUA vontade, porque eu não quero te desagradar”, mas a estás pessoas que me perseguia eu dizia: “Não vejo Deus a me punir por eu pregar a sua palavra e mostrar as pessoas o amor e a salvação de Jesus, por ser mulher.

Quem me vai justificar é Deus, eu estou debaixo de autoridade, homens de Deus, que tem frutos e eles um dia poderão me justificar se estiver a fazer alguma coisa errada.

 

Eu disse Senhor, não vou resistir ao teu chamado e vou obedecer-TE naquilo que sei fazer melhor, porque eu era muito tímida e não sabia falar, é, por tanto foi coisa extraordinária, a minha família sempre se inquietava porque eu não falava e por tudo que vivi no passado eu era muito calada mesmo e Deus me deu este dom. Quem sou eu para ficar nos cantos, quando Deus me deu este poder para dizer as pessoas do seu amor?

 

RS: Quanto tempo ficou afastada?
SC: foi mais ou menos dois anos e ficava lá trás quieta no meu canto aos Domingos, ficava mesmos escondida e fazia questão de parecer a todos que a Irma Sandra estava muito ocupada. Na verdade, era mesmo uma forma de escapar e disse para mim, Deus vou ficar aqui no meu canto apenas para te adorar, mais prejudicou-me muito, porque era como se estivesse a desobedecer, igual a Jonas que fugiu do seu chamado.

 

RS: Prega em todas as denominações ou apenas na Carisma?
SC: Sim, prego em todas as denominações, embora maioritariamente na Carisma. É uma coisa que arde no meu coração, quero testemunhar a todos aquilo Deus fez na minha vida. Quero dizer ao mundo, que existe um Deus que salvar e liberta, Um Deus maravilhoso.

 RS: Prega sobre salvação, qual foi o maior milagre que experimentou?

SC: Deus é tudo para mim e fez muita coisa na minha vida. Eu era uma mulher que estava perdida e a primeira coisa que Deus fez foi a minha libertação. 

Tive a primeira filha aos dezasseis anos, fumava, bebia e fazia tudo aquilo que desagradava a Deus, até drogas já fumei, mas quando meu pai na fé pregou para mim e entrei na igreja eu senti cadeias sendo destruídas na minha vida e depois disso me apaixonei por ELE e nunca mais deixei de viver uma vida longe DELE. 

Então a maior marca que tenho é ser liberta duma vida de pecado e é isto que levo as pessoas, porque eu cresci assim, meu pai e meus familiares tem histórico de abuso ao álcool, quero ver pessoas libertas porque foi assim que eu vivi. Meu pai dizia que eu era a que nunca iria me converter, mas Deus tem sempre propósito de confundir as coisas que não são. Risos.

 

RS: É casada?
SC: Sou casada a 18 anos e tenho três filhos, já tenho uma netinha. Meu marido é uma grande bênção na minha vida, eu tenho dito, ele ainda não vai a igreja hoje, mas eu creio que ele é muito de Deus, uma pessoa que me faz muito bem, uma grande a apoio, eu creio nos planos de Deus para vida dele, uma grande bênção.

 

RS: Já pregou fora de Benguela?
SC: Já fui uma vez a Luanda a pregar, mas já foi a muito tempo, gostaria de voltar lá, mas infelizmente como mãe e esposa não tem sido muito fácil, claro que meu marido agora já entendeu muita coisa, e já aceita, antes foi mais difícil. Então eu quero muito pregar o evangelho em toda Angola.

 

RS: Seu maior sonho para Angola?
SC: Meu maior sonho é que Deus restaure está nação. Que venha o avivamento, a justiça, que este país conheça o amor de Deus e a Sua fraternidade. Nós não somos malditos como se diz, pelo facto da nossa vivência. Passamos pelos hospitais e vemos crianças sofrendo e perguntamos onde está Deus? Mas ele está no trono, no céu e faz tudo conforme ELE quer, mas nós os seres humanos é que certas vezes não enxergamos o seu amor. Meu maior sonho é que angola, reconheça que apenas Jesus Cristo tem solução para está nação e não os políticos, não são homens, mas Deus que vai restaurar está nação, ELE já começou a fazer isso, pela fé, porque nós cremos para ver depois.

 

RS: Qual é a expectativa que tem para está geração?

SC: Eu creio, eu choro e oro por isso, que Deus está a preparar e vai levantar jovens comprometidos com o Reino de Deus e a sua palavra para trazerem o avivamento que tanto se espera.
Avivamento é coisa de Deus e eu creio que Deus vai levantar jovens nesta geração, eu vivo esperando isto e acredito que meus olhos vão experimentar.

 

RS: Qual é seu conceito sobre o avivamento?
SC: Avivamento para mim é verdadeiro arrependimento dos pecados, as pessoas se voltarem para Deus, é pessoas cheias de temor, não é barulho que não traz mudança, mas sim conversão e transformação de vida, é começarem a fecharem os bares, é a injustiça se converter em justiça e só Deus pode fazer isso.

 

RS: Quer deixar uma palavra para a Revista Supremo?
SC: Meu coração se alegra por uma revista como esta porque são respostas de orações que nós fazemos, que o Reino de Deus se expanda e as coisas de Deus sejam conhecidas, e a melhor forma é através da internet, radio e TV.
As lutas e as pedradas vêm, mas não desistam, acredito que Deus vai fazer grandes coisas e vamos inundar com a palavra de Deus, Gloria Deus pela Supremo, que Deus dê forças e toda prosperidade que precisamos, podem contar comigo como intercessora.

 

Entrevista: José Kundy
Fotografia: Ailton silva

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