Há muita falta de conhecimento sobre a mensagem da graça – Pr. Mayomona Afonso

O pastor Mayomona Afonso é conhecido como o realizador de uma das maiores conferencias anuais de fé em Luanda. Entregue ao ministério integral há mais de quatro anos o nosso entrevistado fez os seus estudos universitários no Gana em Administração e já trabalhou em Luanda nos bancos KEVE e STANDARD BANK. Conheça um pouco mais deste homem de DEUS que abandonou um dos melhores empregos para servir a DEUS por gratidão!

Revista Supremo (R. S) – Sente que nasceu para ser pastor?

Mayomona Afonso (M. A) – Sim eu sinto e a cada dia isso é mais evidente. Eu comecei a servir muito novo na igreja. Eu costumo dizer que vou a igreja desde o ventre da minha mãe, porque a minha mãe já servia e já cantava na igreja. A partir do momento em que eu comecei a entender mais a palavra ganhei maior prazer em servir a DEUS, essa é uma vantagem de quem cresce na Igreja Baptista, lá nós somos impulsionados a servir. Eu lembro que eu comecei a servir num grupo de flauta, mas pela regularidade dos ensaios eu acabei desistindo. Mas eu tive a oportunidade de servir a DEUS ministrando a palavra na escola dominical. Lembro-me como se fosse hoje de algo que faz parte do meu testemunho, como alunos os professores da escola dominical motivavam os melhores alunos para ministrarem com eles. 

Eu pela graça de DEUS era um dos melhores alunos e fui enquadrado no grupo dos seleccionados para fazer o treinamento para monitores. Eu cheguei a pensar que era muito jovem e que ia me impedir de muita coisa por isso neguei. Em casa reflectindo durante o meu tempo de oração e meditação ouvi DEUS me dizer para ir a igreja e falar com o irmão Gastão e inscreva-te na classe de monitores. Quando ouvi a voz não hesitei e fui a igreja e encontrei o irmão na igreja na escada a fazer trabalhos de electricidade, falei com ele e foi quando decidiu me inscrever na classe de monitores, como ele já entendia dessas coisas ele ficou maravilhado. Cheguei a ser o melhor aluno da classe, ainda era adolescente, e curiosamente no meu estágio a primeira classe que me dera para dar aulas foi a classe da juventude. Foi exactamente aí onde fui crescendo de glória em glória.

R. S – Como foi sair da igreja onde nasceu e cresceu para abrir o seu ministério? Foi uma decisão difícil?

M. A – Posso dizer sim e não. Sim porquê? Por causa das pessoas, pensei no que elas fossem pensar, em função do progresso que era visível em nós. Foi uma fase em que já se ouvia que alguns haviam saído de suas igrejas embora não era muito comum, foi difícil por isso. 

Por outro lado, foi fácil porque nunca foi por descordar da igreja que saí ou porque pensava que tinha muito mais para dar, ou ainda porque achava que tinha que ter o que é meu. Eu saí da igreja porque estava na hora certa e dentro do plano de DEUS para eu sair e começar com essa obra que ELE me chamou para fazer agora. 

Foi por isso que foi fácil, porque quando saí da igreja tive um sentimento de ter terminado a minha carreira lá naquela igreja e já não tinha mais nada para fazer, cumpri com excelência e com grandeza até a hora de eu partir. Eu ainda fiquei mais dois anos na igreja desde o momento em que eu ouvi a DEUS para o meu chamado. 

Graças a DEUS quando saí o meu pai não reagiu mal quando eu saí, ele é uma pessoa bastante conhecida na igreja de onde saí, eu fiquei apreensivo porque não imaginei o que diriam quando ouvissem que o filho do papá Malungo saiu! Mas quando eu regressei do Gana tive uma conversa com ele onde lhe mostrei o meu diploma e lhe disse que durante o período da minha formação DEUS falou comigo sobre o que iria acontecer um dia. Eu volvei em finais de 2010 e só saí da igreja em 2014.

R. S – Não se formou em Teologia porquê no Gana?

M. A – Eu sou do seguinte pensamento a Teologia é boa e quem poder fazer que faça, mas para quem vai trabalhar no ministério ou dirigir igreja penso que há coisas melhores do que Teologia. Eu recomendo fazerem a escola Bíblica, porque o treinamento é muito mais efectivo e direccionado do que um curso de Teologia. Porque quando uma pessoa está a ser preparada para o ministério ela precisa não apenas de informação, mas de impactação e de graça e são coisas muito espirituais. 

E penso que sentar quatro anos na carteira de uma instituição com o risco de ter professores que nem são espirituais e nem cristãos. Eles podem te transmitir um certo conhecimento, mas eles não têm nem graça nem unção para te impactar a ti que vais trabalhar directamente no terreno.

as escolas teológicas têm o facto de que elas trazem sempre uma inclinação histórica do que eles CRÊEM. por exemplo se fores a uma escola teológica pentecostal eles vão te ensinar teologia com cariz pentecostal, se a escola for baptista a mesma coisa. por isso temos pessoas que vão para as escolas teológicas e quando regressam já não acreditam mais nos dons espirituais, já não falam mais em línguas. 

pessoas que antes falavam em línguas antes de irem até para as escolas. penso que isso é matar a pessoa.  Não tenho nada contra a Teologia, mas é o meu pensamento em relação a esse assunto. Eu sempre recomendo ou uma escola bíblica ou uma escola de Ministério por ser mais direccionado e a pessoa sair de lá muito melhor preparada.

R. S – A graça é uma coisa nova?

M. A – Não. A graça é o evangelho. Eu em 2009, o tempo em que eu estava a terminar a minha formação foi quando comecei a conhecer essa mensagem. A graça nunca foi algo novo, sempre esteve lá. Quando é que ela passou a existir? Quando Jesus Cristo veio para terra. Porque a Bíblia diz que a lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus. O que quer dizer que quando Jesus veio a graça de DEUS passou a ser manifesta. Quem estuda as escrituras entende que DEUS sempre foi um DEUS de graça, ELE nunca mudou, só que há tempos e estações diferentes. Para ser salvo nós precisamos da graça de DEUS e quem crê nessa graça é que é salvo. 

R. S – Sente que a mensagem da graça tal como a entende hoje ela não abunda entre nós?

M. A – Sim. E é uma das coisas que tenho reflectido muito, é o meu bater do coração nos dias de hoje. A muita falta de conhecimento sobre essa mensagem, há muito pouca gente que de facto entende a mensagem. Ainda há muito que se fazer para que todo mundo perceba de facto a mensagem. A igreja é o lugar de treinamento porque a Bíblia fala em edificar os santos para a obra do ministério. Se eu consigo ter um povo debaixo do meu ensino eles vão crescer nesse conhecimento, e amanhã serão os multiplicadores da mensagem.

R. S – O que é que há mensagem da graça nos traz de novo?

M. A – Tira-nos de facto a ideia de que você precisa de se esforçar para DEUS te abençoar, de se sacrificar para DEUS fazer as coisas para ti, que precisamos de um sacrifício próprio para merecer um favor de DEUS. Tira-nos esse peso grande que nós tínhamos, abre a nossa mente e nos traz no lugar onde de facto DEUS quis. 

Servir a DEUS não é dar em troca a ELE o que ELE faz por nós. Servir a DEUS é o resultado de amor. Nós entendemos o grande amor que DEUS tem por nós e por isso o servimos. 

A Bíblia diz que quando nós ainda éramos pecadores DEUS ofereceu o seu filho que morreu na cruz por nós. DEUS prova o seu amor por nós sendo nós ainda pecadores. O que é que podemos dar em troca disso? Ninguém vai pagar mais do que DEUS, ninguém dará mais do que ELE. Quando ELE nos ensina sobre dar é fruto de sua natureza. Não existe nenhum sacrifício maior do que o que Jesus fez. 

Nunca existirá alguém mais bondoso do que DEUS. Servir a DEUS é uma questão de gratidão, se todos nós entendermos isso vamos servir bem melhor a DEUS.

R. S – Isso quer dizer que não precisamos nem mais de jejuar?

M. A – Eu acredito sim que devemos jejuar, mas não consciência do sacrifício para merecer algo de DEUS. A Bíblia diz em 1 João 5-14 Que essa é confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade Ele nos ouve, então sabemos que alcançamos a petição que lhe fizemos. Não fala de jejum, nós não precisamos jejuar para DEUS nos ouvir. 

Jesus disse que tudo que pedires ao meu PAI em meu nome vos dará. O que nos qualifica para receber de DEUS é estar em Jesus Cristo. Pois diz a escritura que todas as promessas de DEUS nele são sim e amém. O jejum é um sacrifício pessoal, não para com DEUS, porque você mortifica a tua carne por via do jejum, você sacrifica o teu corpo para se concentrar em DEUS, por isso não há jejum sem oração e sem meditação, de resto eu digo que é greve de fome.

R. S – A graça nos aboliu o dízimo?

M. A – Não! Temos que perceber que o dízimo a primeira e segunda vez que é referenciado na Bíblia não havia lei. A lei veio orientar a melhor maneira de praticar o que já se fazia antes da lei. E quando estudamos o novo testamento mesmo que poucas referencias, mas encontramos. Uma dessas referências está no livro de Hebreus que claramente fala do papel de Jesus Cristo como sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque e não de Arão. Melquisedeque é quem aparece a Abraão e o abençoa. Abraão dá ele o dízimo de tudo. É importante referir que Melquisedeque não obrigou Abraão a dar o dízimo nem o pediu dízimo. O que Melquisedeque diz é bendito seja o DEUS de Abraão, ele o abençoou.

É importante lembrar que nós oferecemos a DEUS, temos como exemplo as nossas ofertas. Podemos olhar para o dízimo como uma oferta, porque é bom colocar DEUS em primeiro lugar das nossas vidas e em tudo que temos. O dízimo é uma forma de nos ajudar a sermos regulares nas nossas ofertas a DEUS, tirando a questão da lei ou não.

DEUS é muito gracioso, é importante lembrar que DEUS fez o homem e o colocou num jardim onde ele tinha tudo. A graça nos ajuda a entender todas essas coisas. E lembro as palavras de uma irmã que me dizia: “espiritualidade não é sinónimo de nervosismo, ou muita seriedade, espiritualidade é entender a palavra de DEUS e viver em conformidade.

Entrevista: José Kundy

Imagens: Ailton Silva

Comente

Instagram did not return a 200.