“Achei que o evangelho é bom demais para ser verdade” Pr. Ondjay Liborio

Quando eu comecei a pregar nunca desejei ser um pastor, porque nos círculos onde eu andava era como se fosse um grande pecado ser pastor, você podia ser tudo menos ser pastor ou abrir uma igreja, poucos aceitavam ou sonhavam com isso. Abrir uma igreja era um crime imperdoável. Foi com essas palavras que teve início a nossa conversa com o pastor Ondjay Liborio, o líder da Igreja do Real Amor de Deus.

Uma congregação que se popularizou na capital com o programa de rádio denominado Tenda da Glória na rádio Despertar há mais de dez anos. Hoje apresenta na mesma estação o Programas dos Milagres, que se diferencia dos demais por ser um programa voltado a oração em directo com os ouvintes em estado de enfermidade e necessitados de milagres.

Revista Supremo – Não sente que hoje os pastores têm menos credibilidade na sociedade angolana?

Ondjay Liborio – Quando comecei era um crime abrir igreja, já havia ameaça de se prender pessoas que tinham igrejas nos quintais. Não é novidade para mim o descrédito que se tem pelos pastores. O certo é que nesta altura já deveríamos alcançar mais espaço e termos uma voz maior de influência para a sociedade, mas estamos a caminhar para isso. 

R.S – Mesmo com o fechamento de igrejas ainda tem esse optimismo?

O.L – Quando eu comecei já vivi isso várias vezes, porque eu pregava no quintal e já sentia o terror de que podiam vir me prender, porque havia possibilidades para isso, entendia-se que quem está a pregar no quintal é rebelde, porque está a pregar sem autorização do estado.Logo isso para mim não é novidade. 

O que achei maravilhoso na manifestação dessa vez foi impacto causado pelo facto dos pastores estarem unidos. A tentativa de se fechar igrejas não é a primeira vez, dessa vez apenas houve uma resposta a altura por parte dos pastores e esse facto é que foi maravilhoso. Estamos a crescer e daqui a mais alguns poucos anos a imagem de um pastor em Angola será de grande referência.

Temos que admitir que há erros visíveis e eminentes de certos pastores, mas no tempo dos apóstolos também haviam erros, o que quero dizer é que estamos num país que foi fundado em ideologias marxistas e leninistas que são completamente opostas ao cristianismo. Por isso o cristianismo e a pessoa do pastor não eram figuras super agradáveis, alguns até chamavam de corruptos, isso não é por causa dos pastores em sí, nos E.U.A há muitos escândalos envolvendo pastores, mas, no entanto, os pastores são uma entidade. 

É o fundamento do país que é o comunismo, que hoje em falência dizia que a religião é o ópio do povo. A cultura que Angola tinha com relação a igreja e consequentemente os pastores era errada, mas graças a DEUS estamos a crescer. Quando comecei a pregar eu notava que entre dez pessoas evangelizadas só uma é que dizia que já recebeu a Cristo, hoje já não, a maioria ou já o recebeu ou já ouviu pelo menos. Hoje se precisa apenas que haja um maior impacto da pessoa do pastor na sociedade. 

As ideias e a forma de ver o país de um pastor deve ser reproduzir. “O que acho muito triste é que nós crescemos ouvindo ideias de inveja, feitiço, talas etc, e as pessoas vão para igreja e supostamente é na igreja e pelo pastor onde elas deveriam ser transformadas, com uma imagem positiva sobre as pessoas e com o amor ao próximo. 

Os pastores, padres e bispos convertem-se, mas não mudam a sua consciência, continuam a pregar o que já ouvíamos antes de chegarmos a igreja. Quer dizer que o evangelho não se tornou para elas novidade.

R.S– E o que mais lhe preocupa hoje na Igreja.

O.L– As igrejas deveriam anunciar às pessoas o evangelho, levar às pessoas a experimentarem o amor e onde há amor não há suspeita. Uma coisa que eu acho muito negativa é que na igreja as pessoas têm medo um dos outros, têm medo de feitiço enquanto oram. 

Mas como ? Se a pessoa foi a igreja e ouviu falar do amor de DEUS, como ainda ter medo do tio, do vizinho que diz ser bruxo? Penso ser uma das falhas dos pastores que estamos a crescer em número e graças a DEUS por isso mas é necessário agora crescer no conhecimento do evangelho. 

Quando a igreja começar a entender que está numa sociedade para mudar o seu curso ela passa a viver o que diz a Bíblia. Porque na cruz foi eu em Cristo a ser humilhado, mas ao mesmo tempo foi eu em Cristo a ser honrado. É desse entendimento que a igreja precisa em Angola, somos a ajuda da nação, a igreja não pode ter a consciência de mendicidade. JESUS disse que se o sal não salgar é pisado pelos homens. 

Quando a igreja em vez de influenciar não o faz, passa ser desprezada, porque o sal deve salgar. 

R.S – Como surgiu a paixão para pregar o evangelho? 

O.L – Eu na adolescência e juventude fiz o uso de drogas, nomeadamente liamba, diazepam e libanga, também consumia muito álcool, isso levou a minha família a preocupa-se muito comigo.  Foi daí que uma minha tia me chamou para ficar um tempo com ela na África do Sul, foi bom para mim, mas ela como já frequentava a igreja montou um plano para me afastar dos amigos que eu tinha aqui, mas mesmo lá não mudei a partida, continuei com a mesma vida.

Regressei a Angola e algo mudou em mim, passei a sentir a necessidade de mudar, nessa altura eu era o dono das noites e orgulhava-me da vida que eu vivia. Lembro-me que peguei a Bíblia da minha avó e passei a frequentar a igreja Católica. Quando voltei a Africa do sul passei a ouvir as cassetes da Igreja da minha tia, eu senti que algo estava a mudar em mim, eu já não estava a apanhar sono e quando dormisse tinha maus sonhos. Comecei a ver as mensagens das cassetes de noite quando todo mundo ia dormir.

“Achei que o evangelho era muito bom demais para ser verdade”. Um dia eu ao sair da sala, tudo isso aconteceu em Pretória, na casa 393 em Brooklin na man street. Eu lembro que depois que eu apaguei todas as lâmpadas para ir dormir eu de repente caí e em minha frente apareceu um homem, o seu aspecto não era branco nem negro, parecia ser fogo mas em forma de homem ele chamou por mim, eu não sabia que DEUS existia. Eu estava no chão mas pela primeira vez eu senti paz, algo que eu nunca encontrei na discoteca, na bebida ou em algo que eu tenha experimentado. 

Eu nasci de novo alí, eu estava consciente que eu tinha pecado, que já tinha envergonhado a minha mãe, mas naquele momento era como seu nunca tivesse pecado antes, foi como seu nunca tivesse cometido nenhum crime. Eu vi a minha frente um homem, eu falei para ELE, Senhor se és tu deixa-me ficar aqui para sempre, tudo que ele disse foi: Levanta-te e Ide. 

Levantei-me e comecei a andar, foi neste instante que línguas estranhas como que de fogo começaram a sair de dentro de mim pela primeira vez eu comecei a falar em línguas estranhas e o poder de DEUS veio sobre mim. O que eu sinto hoje para curar os enfermos veio em mim a partir daquele dia, veio sobre mim a virtude para curar.

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