“A boa vida é resultado de aceitar Jesus” – Rev. Troco Nunda

Pastor do Ministério Cafarnaum desde 2006 e vice-representante legal da Assembleia de Deus Pentecostal (ADP) em Angola, Reverendo Troco Nunda tem sob sua liderança mais de trinta centros e sessenta Pastores, nessa entrevista de meia hora a Revista Supremo, o líder espiritual dá-nos a conhecer um pouco da sua história, da Assembleia de Deus em Angola e esclarece alguma polémica ligada às autonomias nos Ministérios da Igreja Pentecostal.

R.S: Quem é o reverendo Troco Nunda?
T.N: Troco Nunda nasceu na província do Kwanza sul, município da Cela, fiz o ensino de base na missão católica local. Depois da independência, vim para Luanda com alguns colegas, apenas com o intuito de trabalhar, comprar roupas e regressar. Mas devido a situação militar complicada na altura, já não foi possível regressar. Então, fixei residência no bairro Kikolo trabalhando nas quintas e estudando de noite. Eu já tinha fé no evangelho porque ouvia ainda na Cela, em Luanda tive dificuldades, porque naquela altura era difícil encontrar Igrejas da Assembleia de Deus Pentecostal em Luanda, até que graças a Deus encontrei o Ministério Cazenga.

"Graças a Deus encontrei o Ministério Cazenga"

R.S: E como é que surge na sua vida o Ministério Cafarnaum?
T.N: No dia 1 de Abril de 1984 foi dada autonomia a Igreja do Kilometro 11, e o Pastor Pedro Araújo, em memória, apostou em mim, naquela altura muito jovem, para trabalhar na obra. Fomos trabalhando e abrindo várias congregações, até que em 2006 o Pastor titular veio a falecer e apontou-se para a minha pessoa afim de substituí-lo.
R.S: Como encarou esse desafio?
T.N: Na altura eu já liderava o Centro Maranata, aceitei com espírito de missão e assegurei o centro Maranata e a Sede no Kikolo. Verifiquei que a dimensão do trabalho era grande e a área onde estávamos não correspondia a aquilo que Deus tinha colocado no meu coração, então conseguimos esse espaço aqui em Cacuaco e estamos a erguer aos poucos, com zona administrativa, templo e escola.
R.S: Quantos Centros tem o Ministério Cafarnaum?
T.N: Trinta e dois centros compõem esse Ministério, e estamos com mais de sessenta e cinco Pastores.

R.S: Então confirmar-se que o Ministério Cazenga é a obra mãe da ADP em Angola?
T.N: Absolutamente! O Cazenga é a mãe de todas as sedes. Exceptuando a General Carmona que é agora chamado MACULUSSO. Porque naquela altura, era General Carmona Igreja dos brancos e Cazenga Igreja dos pretos. Por tanto, Prenda, Golfe, Cafarnaum, Sambizanga, Bita SAPÚ e outros, todos estavam no Cazenga, sob liderança do Reverendo Joaquim Manuel ” Pai Abraão.”
R.S: A Revista Supremo já teve a oportunidade de entrevistar o Pai Abraão, e aos poucos vai juntando as peças da história da ADP em Angola. E nos dá a entender que a questão das autonomias na igreja não é tão nova quanto parece. Como é que funcionava naquela altura?
T.N: A exemplo do Cafarnaum que era o centro do Km11 em 1984, o Pastor Joaquim Manuel e outros mais velhos, decidiram dar autonomia ao Golfe que hoje é o Ministério Kilamba-kiaxi, e ao Prenda. Porque na altura, o culto de Santa Ceia iniciava as 18 horas, e ficava difícil para alguém que vive no Prenda vir cear no Cazenga aquela hora. 

Então os mais velhos viram que dando autonomia facilitaria a vida dos membros. Então, foi dada autonomia ao Pastor Araújo, Pastor Malúa e o Pastor Victoriano Silva. Nessa altura, o Ministério Maculusso autonomizou também o Centro da Boavista onde estava o Reverendo Fernando Panzo, em memória, e nasce assim o Ministério Ebenezer.

"O Ministério Maculusso autonomizou também o Centro da Boavista onde estava o Reverendo Fernando Panzo, em memória, e nasce assim o Ministério Ebenezer."

R.S: O mesmo processo de 1984 no Ministério Cazenga se repetiu recentemente no Ministério Ebenezer. Como é que avalia esse último processo?
T.N: Eu trabalhei com o Reverendo Fernando Panzo desde 2008, foi o Pastor Panzo em memória, que tratou dessas questões, as autonomias não partiram do nada! Houve uma reunião do Conselho Provincial em que ele manifestou a necessidade de dar autonomia a algumas Igrejas e ele mesmo escreveu com o seu punho os centros que deviam ser autonomizados. Antes da sua ida a Portugal ele nos deixou esse papel na mesa, mas já não teve tempo de fazê-lo porque veio a falecer, então nós pura e simplesmente demos sequência ao processo.
R.S: Há congregações que tenham saído não fazendo parte dessa lista ou a revelia?
T.N: Não digo a revelia! Nós autonomizamos aquelas que estão na lista, mas é claro que há pessoas que vão atrás de multidões. Nas igrejas, para cada obreiro a sua atrás vem um grupo. Aquilo que aconteceu na carta de Paulo aos Coríntios capítulo 2 quando alguns disseram: ” Nós somos de Paulo, nós somos de Apolo, nós somos de Ceifa”, na igreja actual ainda existe isso. Quando sai um obreiro ainda aparecem alguns que o seguem. Por isso, o que aconteceu é que algumas pessoas seguiram os pastores autónomos e são livres de fazê-lo porque ninguém está preso.
R.S: Que balanço nós pode fazer do estado actual da ADP em Angola?
T.N: A Igreja está boa! Nessa altura estamos a fazer visitas e Conselhos regionais, com seminários, conferências bíblicas e constituição de Ministérios para aquelas províncias que não têm.
R.S: Como avalia o movimento profético e de cura e milagres que tem crescido em Angola?
T.N: É uma preocupação! Oséias 4.6 diz que: ” O meu povo foi destruído, porque lhe faltou conhecimento.” A preocupação da nossa Igreja desde 1983 era criar um Instituto Bíblico. Nessa altura num encontro de líderes em Portugal, os missionários norte-americanos perguntaram o quê precisávamos, os outros países pediram carros e outras coisas , mas Angola pediu uma escola bíblica, é daí que surge o Instituto Bíblico de Angola (IBA) para a formação do homem. Nós aceitamos a cura, mas pregamos que o dono da cura é Jesus Cristo. A boa vida é o resultado de aceitar Jesus.

Entrevista: Gerson Santos
Fotografias: Ailton Silva/Kelvin Cardoso

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