A Páscoa é libertação – Pastor Gedeão Panzo

Gedeão Panzo é o pastor Presidente do Ministério Ebenezer a pouco menos de um ano. Depois de ter dirigido o ministério com o mesmo nome na África do Sul onde viveu por 16 anos, contou-nos o significado da Páscoa para os cristãos e do seu sonho para Angola.

Revista Supremo (R.S) – Qual é a essência da Páscoa?

Gedeão Panzo (G.P) – Diferentemente de como o mundo vê, num sentido comercial com a venda de ovos, de coelhos, sem denegrir os que tal fazem, para nós cristãos especialmente para a Assembleia de Deus pentecostal nós cremos que a páscoa representa um momento de profunda reflexão. Nós refletimos nos pontos fundamentais como libertação, reconciliação, amor e perdão. Quando lemos a bíblia vemos que a páscoa aconteceu momentos antes da libertação do povo da terra do Egipto, foi ali onde Deus instituiu a páscoa.

A páscoa está muito ligada a escravidão do povo, hoje a aplicação a aplicação desta mensagem está ligada a nossa vida anterior, o que nós fazíamos outrora longe do de DEUS e do seu amor, estávamos longe do perdão de DEUS e uma vez resgatados fomos libertos do poder do pecado nas nossas vidas e pelo sangue de JESUS e do seu sacrifício vigário na cruz do calvário nos foi garantido não apenas o perdão mas também a liberdade.

R.S – Disse que a páscoa é reconciliação, sente essa reconciliação ao nível das igrejas em Angola.

G.P – Já estivemos pior creio, a tempos atrás estávamos muito mais divididos, mas com o paradigma que o nosso governo trouxe, de uma certa forma exigiu aos pastores ligarem-se mais porque havia muitas plataformas no passado e essas plataformas na verdade estavam a dividir mais os pastores e as igrejas, mas com essa política querendo ou não nós os pastores vimos a necessidade de nos comunicarmos e nos unirmos mais pela mesma causa, não apenas a causa de estarmos livres para pregar mas a necessidade de nos unirmos para maiores projectos. Não apenas aqueles projectos individuais que tínhamos outrora, hoje pensamos diferente.

R.S – A páscoa é também união?

G.P – Sim, a páscoa representa união por causa da Santa Ceia. Quando nós participamos dessa celebração automaticamente somos chamados a unidade em Cristo que deixa cair por terra todos os aspectos de regionalismo, individualismo etc, para levantar a unidade em Cristo Jesus. Independentemente da denominação Cristo está acima de tudo e de todos, como podemos notar neste dia de páscoa, percebemos que todos nós, católicos, evangélicos, pentecostais, neopentecostais, todos estamos a realizar não só a Páscoa, mas estamos unidos na mesma visão, e qual é a visão? Cristo.

R.S – Quais são os desafios que a igreja ainda tem que ultrapassar hoje em Angola?

G.P – Precisamos trabalhar um pouco mais a unidade entre as igrejas e entre os pastores. Precisamos ter maior impacto na sociedade, por algum tempo nós desenvolvemos muitos e bons trabalhos espirituais, trabalhamos mais o aspecto espiritual do homem do que o lado social. As igrejas tradicionais é que têm mais impacto social na criação de escolas de orfanatos e até no empoderamento do homem cristão na sociedade em particular a mulher. Já os pentecostais e neopentecostais há uma necessidade de nos virarmos para essa área. 

O homem não é apenas espiritual, o homem é também social e como tal precisa estar bem enquadrado na sociedade e a igreja tem um papel preponderante.

O facto de orarmos pelas pessoas não implica dizer que todos os problemas estarão resolvidos. Exige de nós ensinarmos como ultrapassar tais problemas, isso requer educação, requer falar mais do aspecto profissional do homem e nós angolanos temos problemas nessa área porque ainda achamos que fazer o bem sem retorno material e financeiro não tem tanta importância. Muitas vezes até prejudicamos até pessoas que podiam fazer o bem, isso não acontece só com aqueles que não servem a DEUS mas também está empregado em muitos membros da nossa igreja, daí a necessidade que os pastores têm de reenquadrar o homem na sociedade para além do papel espiritual.

R.S – Angola vive um bom momento no cristianismo?

G.P – Sim em termos de Cristianismo não estamos mal. A muito tempo não se fazia sentir o cristianismo em todos os lugares, hoje temos em quase todos os cantos de Angola onde tenho passado, com excepção de duas províncias onde não passei que são o Uíge e o Zaire, nas demais províncias já tive oportunidade de visitar e notamos e muito bem que o evangelho de todas as formas está a ser pregado nos quatro cantos de Angola. 

A promoção da música Gospel também veio dinamizar muito mais ainda o avanço do evangelho, porque hoje temos muitos jovens cantores de uma nova geração que está a surgir mais determinada e sonhadora que junta a técnica à qualidade da música. 

Hoje o impacto do evangelho não está apenas na igreja mas na sociedade em si, nos óbitos cantam-se os hinos da igreja e até em óbitos de pessoas que não são crentes, nos casamentos há prelúdios com música sacra quer de cristãos como de não cristãos e noto hoje que os DJ´s conseguem enquadrar a música cristã. O evangelho já está muito longe, Angola já não é um país por se evangelizar, mas pela graça de DEUS tem tido um grande impacto na nossa sociedade.

RS – Qual é o seu sonho para Angola?

G.P – Primeiro que os políticos mantenham a paz e a reconciliação nacional, a irmandade. Já houve um tempo de muito sofrimento no país, creio que é o momento de nos unirmos cada vez mais. 

O meu sonho é que Angola seja aquilo que outros sonharam, menciono o Presidente Agostinho Neto quando dizia que Angola seria a trincheira firme da revolução em África. Resumo o meu sonho com as seguintes palavras: Que JESUS seja o Senhor da nossa nação, porque quando DEUS é o centro de uma nação não há como o rancor e a ira prevalecer. 

Devemos ser um país que acredita em si mesmo. Que acredita não apenas no potencial dos recursos minerais, mas em termos de recursos humanos. O que temos de mais precioso em Angola são as pessoas, é o povo. Se trabalharmos esse povo de certeza que teremos uma nação muita equilibrada e abençoada para glória de DEUS.

R.S – Ficou 16 anos na África do Sul antes de regressar para viver em Angola, que diferença notou?

G.P – Notei uma diferença abismal, eu vinha apenas visitar Angola vez e outra. Eu tinha sido de Angola devido a guerra, mas quando vim definitivamente verifiquei um diferencial abismal em termos de infraestruturas, vemos hoje os angolanos a procura do conhecimento, mais velhos e jovens hoje têm a cultura do conhecimento académico. 

Do ponto de vista económico também houve crescimento a pesar da crise que abalou o mundo e Angola em particular, vejo que o angolano é muito esperançoso, acorda muito cedo em busca do seu pão, é um povo pacífico e que acredita. Nós temos muitas pessoas de bem nesse país.

Com o novo paradigma trazido com a nova governação de combate a corrupção, nepotismo, estamos a ver um país que se quer posicionar não só por si só mas também ao nível do mundo, sentimos que o país quer estar nas maiores plataformas ao nível mundial. 

Isso demonstra um país sonhador, é claro que ainda teremos que enfrentar muitos desafios, barreiras que teremos que ultrapassar, mas temos que acreditar firmemente como nos diz a Bíblia Sagrada que com fé tudo é possível. Se todos nós crermos, quer pastores, a igreja, o governo tudo nos será possível. Nós daremos passos que vão dignificar a nação e também ao nome de DEUS.

Reportagem: José Kundy

Fotos: Kelvin Cardoso e Ailton da Silva

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