A nossa paz veio pela oração – Rev. Mário José Prata

É uma voz autorizada para falar do evangelho na província de Benguela. Mário José Prata é o pastor presidente da Assembleia de Deus Pentecostal Ministério Monte Sinai Benguela e falou do contributo da Igreja para que a paz chegasse em Angola à revista Supremo.

Revista Supremo (RS) – Quais são as memórias que tem do trabalho realizado pela Igreja no alcance da paz em Angola?

Mario Prata (MP) – A experiência Bíblica que temos e que ganhamos ao longo da vida leva-nos as palavras do profeta Jeremias no seu capítulo 29:7 onde ele aconselhava o povo de Israel a orar pela cidade para que haja paz. Porque quando haver paz na cidade eles também teriam paz.  Dentro do espírito e da letra do que referiu o Apóstolo Paulo em 1 Timóteo a orarmos a favor daqueles que estão em eminência, aqui no Sinai nos obrigamos orar diariamente, vigiar e jejuar a favor da nossa governação. 

Naquela altura quando havia guerra parecia que as coisas estavam difíceis para alcançar-mos a paz.

A igreja se empenhou, jejuou e orou para que Deus tocasse e trabalhasse no coração dos homens, no nosso caso nunca esperei e nem desejei que a nossa paz fosse negociada fora do nosso país.

Sabemos que houve vários acordos e que os partidos fizeram para negociar a paz, mas foi quando Deus começou a intervir que se começou a entender que a paz teria de ser feita entre nós e isto realmente aconteceu. Foi no Moxico onde os nossos generais Armando da Cruz Neto e Abreu Muengo Kamorteiro assinaram o entendimento e hoje graças a Deus essa paz está no nosso meio.

Embora que alguns políticos não acreditam, podemos dizer que a verdadeira paz fomos todos nós que alcançamos por intermédio da igreja na oração, porque a Bíblia nos garante que a oração é uma arma que nunca conheceu derrota.

Estamos felizes com esta paz e precisamos de mantê-la, a luz do Salmo 133, como irmãos unidos devemos desfrutar esta paz. Continuamos a orar para que a paz traga os devidos benefícios. Alguns dos benefícios são boas escolas, bons hospitais, saneamento básico eficaz, boas estradas, enfim. Não podemos ainda nos orgulhar sem que estas situações estejam resolvidas. Claro que a paz é uma grande harmonia, continuamos a orar para que essa maldição presente da violência doméstica desapareça do nosso país. 

Como igreja de acordo com a nossa responsabilidade e a luz da Bíblia é nossa missão orar pela paz.

RS- Quais são os maiores desafios da Igreja em Benguela?

MP: Graças Deus com a paz temos mais liberdade e mais facilidade para nos deslocarmos e atingirmos as áreas que ainda não foram atingidas, mas estamos a ir muito bem e estamos a atingir quase todos os municípios faltando algumas comunas apenas. Estamos a crescer como pipoca, em todos os municípios temos uma casa de oração das Assembleias de Deus com crentes que oram. 

O desafio agora é chegar em todas as comunas para que se cumpra a profecia de JESUS que diz que o evangelho tem que ser pregado até aos confins da terra. Precisamos atingir todas as pessoas porque como diz a Bíblia enquanto todas as pessoas não ouvirem o evangelho JESUS não virá, embora já estamos a ver alguns sinais que antecedem a vinda do Senhor, mas nós continuamos a fazer o trabalho antes que Ele venha.

RS- Queremos saber mais do papel social da Igreja. Sabemos que houve missionários que implantavam escolas e hospitais onde levassem a Igreja. Continua com esse entendimento?

JP – Continuamos com esse entendimento mas a culpa muitas vezes não é da liderança mas das pessoas a quem encarregamos para serem as responsáveis pela acção social, vou lhe dar um exemplo, nós aqui no monte Sinai construímos uma clínica no Dombe Grande mas infelizmente perdemos essa clinica porque o governo interveio pouco. Havia a necessidade de se construir uma fábrica gesso no Mucuio então no lugar onde nós colocamos a clínica segundo os técnicos seria um risco de saúde,  seríamos afectados com os produtos químicos e deram-nos num outro lugar. Tivemos que desistir um pouquinho por causa da falta de sinceridade dos nossos irmãos. As pessoas olhavam aquele trabalho sem temor a Deus.

O pastor não deve andar atrás da acção social, aquelas pessoas que incumbimos a responsabilidade deviam sentir o mesmo que nós. Tivemos que nos desfazer da clínica porque os irmãos suecos que estavam a cooperar connosco mandavam dinheiro, medicamentos e se preocupavam, mas os nossos técnicos não sei se é falta de temor a Deus começaram a roubar os medicamentos, isso nos entristeceu a ponto de fecharmos. 

Como a nossa missão é pregar o evangelho ficamos assim. Mas ainda temos esperança que um dia possamos recuperar esse lado social. O que temos estado a fazer já a nível de igreja local é dar sexta básica e neste momento estamos a dar a 300 mais velhos de rua. Infelizmente descobrimos que alguns mais velhos a quem damos a sexta básica vendiam os produtos para beber e fumar por isso o mês passado tivemos que interromper e estamos a prever dar alimentos cozidos. Já estamos a organizar a cozinha para que os mais velhos tenha uma sopinha e alguns alimentos. Já tivemos uma reunião com a responsável do MINARS que prometeu cooperar connosco. 

Nós também temos ainda em termos de beneficência o departamento do Bom Samaritano que ajuda muitas pessoas até de outras províncias que vêem bater a nossa porta pedindo por medicamentos e muitas vezes até às consultas. Temos um projecto na penitenciária onde temos tido obreiros destacados para fazer cultos na cadeia e muitas vezes já pagamos até às cauções dos presos.

Ainda temos escolas comparticipadas, na altura em que o governador era o general Armando da Cruz Neto. São uma média de três, a do Lobito tem exactamente o nome do departamento Bom Samaritano, as outras duas uma está no Cubal e outra no Dombe Grande. 

Todas essas escolas são contribuições dos crentes sem o apoio do governo.

RS- Como é a relação entre as igrejas em Benguela?

JP- Aqui em Benguela ao nível das igrejas Assembleias de Deus são sete igrejas autónomas ou ministérios autónomos e somos Unidos, trimestralmente nos encontrarmos e saímos para fazermos um “barulho próprio”, por exemplo agora estamos a nos preparar para uma grande actividade que teremos em Junho com a presença do nosso Representante legal, Reverendo Francisco Domingos Sebastião que virá cá e faremos um seminário para todos os obreiros que quiserem e no final vamos encerrar com um grande culto no campo multiuso. 

Temos nos envolvido mais em unidade, aliás é o nosso lema olhando pelo Espírito da letra do Salmo 133 devemos viver Unidos. Há aqueles que as vezes furtam-se mas no final encaixam-se.

RS- Tem uma palavra para os jovens obreiros dessa geração?

JP- O ministério é para todos, os jovens gostam de correr muito mas é necessário que hajam mais velhos para puxar no casaco dos jovens. Na minha lógica não devemos deixar os jovens porque senão amanhã vamos ter dificuldades. Queremos enquadrar mais juventude, como dizia o profeta João Baptista é bom que ELE cresça e eu diminua, a nossa ideia é que os jovens cresçam e nós ficamos por trás mas trabalhando todos Unidos. 

Enquanto Reverendo sei que estou a ir embora e a idade não nos poupa e a obra tem que ficar na mão dos jovens aqueles que têm boa vontade e são humildes, não aqueles que querem afastar os mais velhos para eles assumirem, assim como a experiência que teve o Rei Davi que mesmo tendo a oportunidade de reinar não assumir de imediato, ele esperou que Deus agisse na vida do rei Saul. 

Gostaríamos de ter jovens humildes assim tal como diz o livro de 1 Samuel 15:22 É melhor primeiro obedecer do que sacrificar, nós queremos jovens obedientes porque há lugar para todos no ministério. Na verdade os campos são brancos mas são poucos os ceifeiras.

RS- Olha com esperança para esta nova geração?

JP- Sim e ultimamente temos visto que há dois grandes sectores motores da igreja que é a juventude e as mamãs. As mamãs quando envolvidas no trabalho fazem coisas muito bonitas, estou seguindo a visão do nosso Irmão Poul Yong Cho de por as mamãs a frente. Elas fazem um bom trabalho, todo mês de Março aqui na igreja foi entregue as mulheres e tivemos experiências extraordinárias. 

Houve coisas novas, as mamãs envolveram os casais jovens, casados e não casados e foi algo tremendo. Queremos ver todo mundo envolvido.

RS- Já viu a revista Supremo. Que palavra quer deixar aos jovens que trabalham nesse projecto?

JP- Eu deixo palavras de ânimo e desejo o texto de 1Coríntios 15:8 ” Portanto, meus amados irmãos, permanecei firmes e que absolutamente nada vos abale. Dedicai-vos, dia após dia, à obra do Senhor, plenamente conscientes de que no Senhor, todo o vosso trabalho jamais será improdutivo”. 

Continuem fortes e olhem para JESUS autor e consumador da vossa fé, Ele vos dará fé e força, elementos necessários para vocês continuarem com o trabalho.

Reportagem :José Kundy

Fotos: Ailton da Silva

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