Tu podes receber um milagre hoje e no dia seguinte acabar no inferno

Carrego comigo uma grande admiração e consideração por todos que vieram antes de mim e trilharam o caminho da fé. Aqueles que traziam a mensagem de Cristo e nessa sociedade conseguirem ser o sal.

Perfil

Nome: Elsano Danilo Lubrano Vicente

Idade: 33 anos

Casado : Sim (Petra Vicente)

Filhos: 2

Prato Preferido: Funge de calulu e carne seca

Versículo Preferido: Lucas 12.15

Formação: Bacharel em teologia

Elsando Danilo Monteiro Lubrano Vicente abriu o coração para falar da esperança que tem na sua geração e dos marcos inolvidáveis da história da Igreja em Angola. É pastor e o líder da Igreja Comunidade Cristã, uma das congregações da plataforma Missão Evangélica da Reconciliação (MER).

José Kundy (J.K) – Qual é a leitura que faz do actual momento do país? Houve mudanças políticas será que a igreja entra também num novo paradigma por causa disso?

Elsando Vicente (E.V) – Eu acredito que a igreja desempenha um papel muito importante para a sociedade, se formos a acompanhar a história antes e pós-independência, no período de guerra que tivemos que levou mais de trinta anos e mesmo depois desse período a Igreja sempre desempenhou um papel importante. Estamos a afalar da igreja que participou no processo de formação dos primeiros quadros que o país viu, nas ajudas humanitárias durante a guerra, no processo de pacificação, a Igreja orou muito pela paz e a paz chegou em 2002. Nesta nova Angola vemos uma Igreja com maior abertura e liberdade para pregar o evangelho, algo que nem sempre existiu, hoje temos nos meios de comunicação convites para homens e mulheres de Deus para poder intervir e as suas opiniões serem contadas como válidas para a sociedade.

J.K Hoje o estado pode contar mais com a Igreja do que antes?

E.V Acredito que sempre contou, mas hoje num outro paradigma onde temos maior abertura, maior facilidade de expressão e força, hoje temos maior campo de intervenção. A Igreja está presente é um dos maiores agentes de socialização. Não é não é só a reserva moral da sociedade como se tem dito. É sim aquele ente que não se corrompe, mas também é um agente activo que participa no processo de socialização da nossa sociedade.

J.K Faz parte de uma nova geração de pastores, como é a relação com os mais velhos servos que viveram o evangelho antes?

Eu respeito muito os mais velhos, aqueles que foram colunas e baluartes do evangelho, aqueles que nos anteciparam viveram tempos difíceis e especiais, carregam uma história e um testemunho muito grande. Carrego comigo uma grande admiração e consideração por todos que vieram antes de mim e trilharam o caminho da fé. Aqueles que traziam a mensagem de Cristo e nessa sociedade conseguirem ser o sal.

J.K Sente continuidade dessa mensagem na nova geração?

E.V Acredito que a velocidade da nova geração é outra a julgar pelo actual paradigma tecnológico, estamos na era da globalização onde o acesso a informação aumentou exponencialmente. Antigamente não tinhas um Ipad para pregar e hoje podemos ter num telefone 40 Bíblias, 20 versões da Bíblia num único dispositivo electrónico. Estamos a falar de uma mudança inevitável, o que trouxe o aparecimento de uma nova geração com outra dinâmica, outra expressão, outra força e outra forma de se apresentar. Claro que isso as vezes é mal interpretado pelos mais velhos, mas creio que é parte da resposta das orações que eles mesmo fizeram.  Eles dobraram os joelhos e oraram para que Deus levantasse homens e mulheres de Deus que pudessem seguir os mesmos caminhos que eles seguiram. Pode ser que nós não nos levantamos como alguns queriam que fossemos levantados, Israel também orou por muito tempo pelo Messias e o Messias visitou-lhes e eles não conheceram o dia da sua visitação, por isso é possível que alguém não perceba que somos a resposta da oração de muitos.

J.K Hoje ser um pastor não é um título de honra em todos lugares, há quem diga que os pastores são todos bandidos. Porquê?

E.V É uma pena, porque já houve tempos em que o nosso país já reconheceu servos de Deus com um certo prestígio, inclusive com passaporte diplomático os ministros de culto. Já tiveram grande prestígio, mas hoje infelizmente esse prestígio está a ser maculado pela interversão de pessoas sem preparação ao nível do evangelho, sem sequer um preparo, pessoas que não foram submetidas a certa instrução e nem foram chamadas. Hoje temos pessoas eivadas de outro tipo de interesse pessoais e materialistas. Pessoas que entraram para o evangelho sem o foco daquilo que os mais velhos sempre disseram, que é glorificar a Cristo acima de tudo e nos sacrificarmos em prol disso. Por causa desses é natural que os escândalos aumentem. Esses actos estão fora daquilo que é o espelho da Igreja e do carácter e testemunho de Cristo. Hoje em dia há uma repulsa, uma rejeição social, existe a “igrejofobia”, “pastorfobia” permita-me usar essas expressões, basta ouvirem que és pastor que conotam-te, porque hoje a imagem do pastor está muito manchada, mas eu acredito que DEUS é aquele que devolve e restaura a dignidade. Estamos a orar e a trabalhar por isso.

J.K As pessoas devem vir Igreja pela cura ou pelo curador?

E.V as pessoas devem vir a Igreja a procura do curador, mas elas muitas vezes são atraídas pela necessidade de receber uma cura. Então elas podem vir pela cura, mas não devem permanecer somente com a cura que receberam. O próprio Jesus falou sobre isso quando disse vocês me seguem não pela palavra que eu vos prego mas pelo pão e o peixe, isso quer dizer que Ele deseja que o busquemos pela Palavra mas muita gente ainda se limita quanto a isso.

J.K O que é que deve levar as pessoas a igreja?

E.V É a necessidade de serem salvas. A salvação por si é motivo suficiente para nos levar a Deus. Só o facto da pessoa imaginar passar uma eternidade distante de Deus já deveria nos colocar reverencia no coração. Jesus falou o que o homem não daria pelo resgate da sua alma? Muitas pessoas vivem sem consciência da eternidade, vivem uma vida onde só pensam no presente. Não pensam que um dia vão deixar esse corpo presente, não pensam no porvir nas coisas que são eternas além do tempo presente. Muitos até vão a Igreja mas não pensam no eterno, eles comem porque o corpo lhes anuncia que têm que comer mas não entendem a fome da alma de cada ser humano, o facto de muitos não sentirem não quer dizer que não precisam.

Tu podes receber uma cura e não ser salvo, um milagre e não ser salvo, Deus pode responder algumas orações tuas na terra e não seres salvo, podes receber alguns bens de DEUS, e no dia seguinte acordares no inferno. Nos final nada valerá se recebermos todos esses benefícios se acabarmos por não sermos salvos.

Só a salvação é o suficiente para uma pessoa cantar louvores a Deus todos os dias da sua vida. 

Mas muitas vezes não temos noção da dimensão do favor e da graça de Deus em nos oferecer gratuitamente a salvação ao de Cristo ter morrido para que beneficiássemos desse imerecimento. Esse mundo é passageiro e nós temos que estar lembrados disso, a Igreja tem que estar lembrada disso, nós estamos aqui de passagem. O que tenho visto é que muitas pessoas vão a Igreja incluindo na minha sem a consciência disso. O que são 70 anos na terra comparados com uma eternidade ao lado de Cristo? É preciso despertar para isso.

J.K Qual é o foco do seu ministério?

E.V O foco do nosso ministério é o discipulado das famílias. Porque as famílias devidamente estruturadas vão contribuir para o desenvolvimento da nação. É nas famílias onde está o pedreiro, o engenheiro, os cientistas, o médico, é lá onde está o potencial da nação. Nós temos uma pequena nação dentro de cada casa, e queremos investir em cada casa. “Podemos não mudar o mundo a nassa volta, mas podemos ser a mudança que queremos ver a nossa volta”.

J.K Quer deixar conselhos a nova geração?

E.V Eu aconselho a minha a minha geração a não deixar de ouvir os mais velhos. Não vamos correr essa carreira negligenciando os poderosos ensinamentos que podem vir dos mais velhos. Há dois grandes problemas da minha geração, são tardios a ouvir e têm a síndrome do copo cheio. Aproximam-se dos mais velhos com a postura de quem sabe tudo e não se pode acrescentar nada a um copo cheio, então os mais velhos não podem acrescentar mais nada nesse estado.

Tem um ditado meu que diz “com os mais velho aprendemos com os seus erros e aceleramos com os seus acertos”.

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